A morte é um dia que vale a pena viver – uma reflexão transformadora sobre a vida e o sentido da finitude

O livro “A morte é um dia que vale a pena viver”, da médica geriatra e paliativista Ana Claudia Quintana Arantes, é uma obra profundamente humana, sensível e necessária. Mais do que falar sobre o fim da vida, ele nos convida a olhar para a morte como uma parte inseparável da própria existência — e, paradoxalmente, como um chamado para viver melhor.

A autora e sua trajetória

Ana Claudia Quintana Arantes é especialista em cuidados paliativos, área da medicina voltada para oferecer qualidade de vida e dignidade a pacientes em fase terminal. Ao longo de sua carreira, acompanhou milhares de pessoas em seus últimos momentos e, dessa convivência com a finitude, extraiu aprendizados que compartilha no livro.
Sua experiência mostra que, quando a morte deixa de ser tabu, conseguimos enxergar o que realmente importa: amar, perdoar, agradecer e viver com mais consciência.

O grande tema do livro: a vida iluminada pela morte

Ao contrário do que o título pode sugerir, a obra não é sombria. Pelo contrário: é um convite à vida. Ana Claudia explica que a morte não é uma inimiga, mas sim uma mestra que nos lembra, todos os dias, que o tempo é finito e precioso.
Quando aceitamos essa verdade, passamos a dar valor às coisas simples — um abraço, uma conversa, um pôr do sol. A morte, então, torna-se não um fim assustador, mas um espelho que reflete a urgência de viver com sentido.

Principais reflexões trazidas no livro

1. O tabu da morte na sociedade

Vivemos em uma cultura que evita falar da morte. O tema é visto como mórbido, e muitas vezes escondemos até das crianças. Mas essa negação nos torna despreparados quando ela chega. Ana Claudia defende que precisamos “normalizar” o assunto, transformando-o em oportunidade de diálogo e aprendizado.

2. Cuidar é mais importante do que curar

Nos momentos finais da vida, a busca não deve ser apenas prolongar os dias a qualquer custo, mas garantir qualidade nesses dias. É aqui que entram os cuidados paliativos: aliviar a dor, trazer conforto, permitir que o paciente se despeça, resolva pendências e viva com dignidade até o último instante.

3. As quatro palavras que transformam vidas

Segundo a autora, ao se aproximar da morte, quase todos sentem a necessidade de dizer ou ouvir quatro palavras:

  • Me perdoe
  • Eu te perdoo
  • Eu te amo
  • Obrigado
    Essas expressões resumem o que realmente importa e nos lembram que as relações humanas são o centro de tudo.

4. A morte como guia para uma vida autêntica

Ao percebermos que o tempo é limitado, aprendemos a priorizar o que é essencial: menos correria, mais presença; menos acúmulo, mais experiências; menos orgulho, mais amor. Assim, viver com a consciência da morte é, paradoxalmente, viver com mais intensidade.

Um livro que acolhe, inspira e transforma

“A morte é um dia que vale a pena viver” não é apenas um relato médico ou filosófico. É um guia de humanidade. Ele toca o leitor porque fala de algo que é universal: todos nós, cedo ou tarde, enfrentaremos a morte — a nossa e a de quem amamos.
Ao longo das páginas, Ana Claudia nos mostra que, ao aceitar essa certeza, podemos transformar a forma como vivemos hoje. Em vez de temer a morte, podemos usá-la como lembrete diário de que cada instante importa.

Ler “A morte é um dia que vale a pena viver” é um exercício de coragem e de amor. Coragem porque nos desafia a encarar o inevitável sem máscaras. Amor porque nos ensina a viver de maneira mais presente, verdadeira e plena.
É um livro que consola quem sofre, que inspira quem teme e que desperta em todos nós a consciência de que viver é, antes de tudo, uma oportunidade única — e que a morte, longe de ser o fim, pode ser a maior professora da vida.

Deixe um comentário

Tendência